Negócio x Independência
Gustavo Delacorte
Em um mundo com a produção e transmissão de informações dominadas, cada vez mais, por poucas mãos – grandes grupos econômicos –, falar de independência no jornalismo torna-se uma tarefa complicada. Jornais, revistas e emissoras de TV e rádio ficam sob o controle dos chamados oligopólios, limitando, muitas vezes, o trabalho dos profissionais da área. Com isso, o mundo jornalístico sofre, por exemplo, com a banalização das grandes matérias, com a desmoralização do formato clássico de reportagens e noticiários de TV, devido à diminuição de espaço no ar cedido para programas de outras finalidades, geralmente banais, porém, economicamente favoráveis para suas respectivas emissoras, dentre outras desvantagens para o mundo da notícia.
“Pela primeira vez na nossa história, as notícias estão sendo produzidas cada vez mais por companhias fora do jornalismo, e essa nova organização econômica é importante. Nós estamos enfrentando a possibilidade de o noticiário independente ser substituído por interesses comerciais apresentados como notícia.”, dizem Bill Kovach e Tom Rosenstiel, autores do livro Os Elementos do Jornalismo, resultado de uma pesquisa abrangente entre jornalistas e cidadãos norte-americanos, mas que também vale para os brasileiros, que descreve a teoria e a cultura do jornalismo.
Podemos relacionar a afirmação de Kovach e Rosenstiel com a dificuldade de uma parte da mídia dos EUA em falar sobre o massacre no Instituto Politécnico da Virgínia, em Blacksbug, onde morreram 33 vítimas, incluindo o agressor, Cho Seung-hui. O caso fortaleceu novamente a discussão sobre o porte de armas no país, que possui leis que permitem que qualquer pessoa porte uma arma.
Gustavo Delacorte
Em um mundo com a produção e transmissão de informações dominadas, cada vez mais, por poucas mãos – grandes grupos econômicos –, falar de independência no jornalismo torna-se uma tarefa complicada. Jornais, revistas e emissoras de TV e rádio ficam sob o controle dos chamados oligopólios, limitando, muitas vezes, o trabalho dos profissionais da área. Com isso, o mundo jornalístico sofre, por exemplo, com a banalização das grandes matérias, com a desmoralização do formato clássico de reportagens e noticiários de TV, devido à diminuição de espaço no ar cedido para programas de outras finalidades, geralmente banais, porém, economicamente favoráveis para suas respectivas emissoras, dentre outras desvantagens para o mundo da notícia.
“Pela primeira vez na nossa história, as notícias estão sendo produzidas cada vez mais por companhias fora do jornalismo, e essa nova organização econômica é importante. Nós estamos enfrentando a possibilidade de o noticiário independente ser substituído por interesses comerciais apresentados como notícia.”, dizem Bill Kovach e Tom Rosenstiel, autores do livro Os Elementos do Jornalismo, resultado de uma pesquisa abrangente entre jornalistas e cidadãos norte-americanos, mas que também vale para os brasileiros, que descreve a teoria e a cultura do jornalismo.
Podemos relacionar a afirmação de Kovach e Rosenstiel com a dificuldade de uma parte da mídia dos EUA em falar sobre o massacre no Instituto Politécnico da Virgínia, em Blacksbug, onde morreram 33 vítimas, incluindo o agressor, Cho Seung-hui. O caso fortaleceu novamente a discussão sobre o porte de armas no país, que possui leis que permitem que qualquer pessoa porte uma arma.
Antes mesmo do fim do massacre, a defesa do porte de armas pôde ser vista e ouvida nos debates iniciados na internet, antes mesmo da tragédia terminar, e continuados nas mesas-redondas de programas jornalísticos na Fox e CNN. A solução proposta, no ponto de vista desses setores, nos quais se incluem, obviamente, os fabricantes e vendedores de armas, seria a de todos os estudantes comparecerem armados às aulas e onde mais quisessem, de maneira a poderem se defender de um eventual assassino. Essa posição não é de impressionar, visto que, se a idéia de um cidadão portar uma arma virasse mania nacional, os mesmos fabricantes e vendedores que a defendem lucrariam muito mais do que já lucram.
Não faz muito tempo que essa mesma questão sobre o porte de armas foi pauta evidente nos veículos de todo o Brasil. A Rede Globo, maior emissora de televisão do país, apoiou insistentemente a proibição do comércio legal de armas. Na Internet, fora divulgada a informação que a mesma se preparava para, em parceria com a Glock (fabricante austríaca de pistolas semi-automáticas), instalar no Brasil "A Maior Empresa de Segurança Privada do País", e que já estava tudo preparado para a instalação do novo empreendimento na cidade de Campinas. Sem poder ter o direito de portar uma arma, o povo brasileiro teria de contratar seguranças particulares que, por fim, seriam funcionários da empresa austríaca.
Casos como o massacre no Instituto Politécnico da Virgínia e a defesa do porte de arma para todo cidadão, nas declarações de alguns veículos jornalísticos, como os da Fox e da CNN, nos EUA, e o referendo sobre o porte legal de armas no Brasil, com o apoio da Rede Globo para a proibição do comércio ilegal de armas no país, exemplificam a falta de independência citada parágrafos acima. Felizmente, a população brasileira deixou transparecer que não aceita mais “invenções”, nem remédios milagrosos para o combate de problemas sérios como o da segurança pública e disse não ao referendo.
Afinal, onde estava a independência na cobertura da Rede Globo na campanha do referendo? Onde estava a lealdade à população? Uma opinião, caso seja de uso jornalístico, precisa estar baseada em coisas mais substanciais do que em crenças pessoais, no caso, a da empresa. O jornalismo é baseado em levantar os dados, aprender, entender e a educar. A obrigação especial do jornalismo é ser o guardião atento, o mocinho e não o bandido.
Não faz muito tempo que essa mesma questão sobre o porte de armas foi pauta evidente nos veículos de todo o Brasil. A Rede Globo, maior emissora de televisão do país, apoiou insistentemente a proibição do comércio legal de armas. Na Internet, fora divulgada a informação que a mesma se preparava para, em parceria com a Glock (fabricante austríaca de pistolas semi-automáticas), instalar no Brasil "A Maior Empresa de Segurança Privada do País", e que já estava tudo preparado para a instalação do novo empreendimento na cidade de Campinas. Sem poder ter o direito de portar uma arma, o povo brasileiro teria de contratar seguranças particulares que, por fim, seriam funcionários da empresa austríaca.
Casos como o massacre no Instituto Politécnico da Virgínia e a defesa do porte de arma para todo cidadão, nas declarações de alguns veículos jornalísticos, como os da Fox e da CNN, nos EUA, e o referendo sobre o porte legal de armas no Brasil, com o apoio da Rede Globo para a proibição do comércio ilegal de armas no país, exemplificam a falta de independência citada parágrafos acima. Felizmente, a população brasileira deixou transparecer que não aceita mais “invenções”, nem remédios milagrosos para o combate de problemas sérios como o da segurança pública e disse não ao referendo.
Afinal, onde estava a independência na cobertura da Rede Globo na campanha do referendo? Onde estava a lealdade à população? Uma opinião, caso seja de uso jornalístico, precisa estar baseada em coisas mais substanciais do que em crenças pessoais, no caso, a da empresa. O jornalismo é baseado em levantar os dados, aprender, entender e a educar. A obrigação especial do jornalismo é ser o guardião atento, o mocinho e não o bandido.
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