sexta-feira, 18 de maio de 2007

Várias faces de uma só moeda
Raphael Andrade

A morte do publisher Octavio Frias de Oliveira trouxe a tona duas palavras esquecidas pelos veículos de comunicação, a independência jornalística e a liberdade. Muitos jornais e revistas se julgam como sendo completamente independentes e detentores da tão sonhada liberdade. Mas será que ao menos estes veículos sabem o que isto significa, ou até mesmo a importância que estas duas palavras possuem no meio jornalístico?
Para Tasso Jereissati, presidente do PSDB “O Frias representa o jornalismo feito com independência e liberdade”, mas quando se depara com o conteúdo de seu jornal a realidade é outra. Como, por exemplo, que independência há em mostrar o Papa durante cinco dias (todos os dias que esteve no Brasil) ocupando toda a abertura do jornal, com cadernos especiais. E a sociedade? Era tão importante assim para a população? Todos tiveram que aderir ao Papa, querendo ou não.
Para Paulo Maluf, atualmente deputado federal pelo PP-SP “Era um homem perfeito: ético e corajoso ao extremo. Inaugurou uma nova forma de jornalismo no Brasil, de ouvir todos os lados. Fez um jornal pluralista para que o leitor formasse seu ponto de vista”. Afirmar isto é algo difícil de ser feito, em plena consciência. Será que realmente neste século XXI se alcançou o equilíbrio no jornalismo? Atualmente há o equilíbrio entre repórteres e editores, editores e seus “patronos”, notícia e público?
Este assunto é algo sério no qual deve ser repensado por todos os veículos de comunicação, pois o maior engajamento para o jornalista e para o jornalismo é o seu compromisso com o público. O jornalismo como ponto de vista se distância da ética, outro assunto delicado de ser tratado, pois faz com que a ideologia se sobressaia, tenha mais força.
A independência jornalística não está na neutralidade, na imparcialidade, que são conceitos mais subjetivos do que a própria verdade como diz Bill Kovach e Tom Rosenstiel em Os Elementos do Jornalismo. “Escrever uma matéria tratando de ser justo com os dois lados da história talvez não seja o ideal de verdade”. Contudo a nossa profissão sofre com essa tentativa de alcançar a independência, sem ao menos tentar entendê-la, “para que isso aconteça, o próximo passo é que os jornalistas deixem bem claro a quem dedicam sua lealdade prioritária”, Bill Kovach e Tom Rosenstiel.

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