sexta-feira, 27 de abril de 2007

Jornalismo ou Publicidade?
Cidadão ou Consumidor?
Raphael Andrade

Um dia após o massacre ocorrido na universidade de Virginia , por Cho Seung-Hui a Folha de S.Paulo publica, em meio a notícias importantes e preocupantes da capa, uma publicidade da Rede Wal-Mart, algo até então “normal” nos dias de hoje, principalmente na Folha que sempre introduz uma publicidade em meio a capa.
O que mais chocou realmente não foi a chamada do vídeo liberado pelo atirador muito menos as matérias de capa, mas sim a frase que havia na publicidade “Trabalhando para você viver melhor...Veja no Especial Wal-Mart”. O especial ou informe publicitário como quiserem chamar, era “simplesmente” um outro jornal contido na Folha com “somente”, 19 páginas.
A reação foi única, o questionamento se fez nas perguntas, onde o jornalismo vai parar? Isso é jornalismo?
Jornalismo e negócio não podem ser ligados da forma que acontece atualmente, a conhecida relação Igreja – Estado tem que andar separadamente, pois quando andam em conjunto perde-se um dos maiores, se não o maior princípio do jornalismo, a responsabilidade social.

O jornalismo se tornou um grande negócio, atrelando-se à “verdade” do anunciante, mesmo sabendo que a verdade jornalística inexiste.
O conteúdo comercial não pode intervir no conteúdo editorial, pois a conseqüência da sua união é reconhecer o cidadão não mais como tal, mas como consumidor.
“A verdade é trazer à luz os fatos ocultos, estabelecer uma relação entre eles e montar um quadro da realidade sobre o qual os homens possam agir”, frase de Walter Lippmann, traduz o jornalismo. Informar, interpretar e explicar é a função do jornalista.

Por isso os futuros jornalistas têm que encarar esta profissão com uma visão diferente da atual, sabendo que o nosso dever e compromisso são para com o cidadão, fazendo com que o jornalismo seja informação e não marketing.

Um comentário:

Anônimo disse...

Um eterno frenético....

Palavras sabias de um cara que com toda certeza tera um futuro enorme...